Infância Pobre
#8 - O colégio de playboys

Bom, até a terceira série do então primeiro grau eu estudei em escolas particulares. Na segunda e terceira séries eu estudei numa escola SUPER de playboys nos Jardins, em SP.

Meu pai e minha mãe trabalhavam fora o dia todo, então quem “me arrumava” pra ir pra escola era eu mesma, com todo o bom gosto e destreza de uma criança de 8 anos. Veja bem, que eu gostava de ir pra escola de chinelo, e pentear os cabelos era algo fora de cogitação.

Então assim passavam os dias no longínquo ano de 1990: eu ia pra escola mulambenta, num carro com mais 7 crianças (tinha dias que o carro era um Fiat Elba, tinha dias que era um Monza, dependia do coitado que ia levar a gente). Obviamente eu chegava lá mais mulambenta ainda.

E tinha que enfrentar aquela turma de mini-patricinhas, penteadas, perfumadas, com suas mochilas da Pakalolo e lancheiras da Menina-Flor.

Durante a aula tudo bem, que as professoras sempre gostaram de mim, mas o recreio era uma tortura.

Com o tempo eu descobri que podia me esconder na biblioteca, que lá ninguém ia mesmo. Passava o recreio lendo uns livrinhos e tal, e ficava tudo bem.

GAP TEMPORAL

Estamos em 2005. O orkut começava a se popularizar no Brasil. Eu ja tinha superado minha infancia pobre e tal. Já era uma adulta que ganhava seu proprio salário e tudo.

Daí uma menina de cachinhos pede para ser minha amiga no orkut. “Ué?”

Eu realmente não fazia ideia de quem era, então deixei um scrap perguntando.

E a resposta foi:

OI,

EU SOU A FULANA DO COLÉGIO DE PLAYBOYS
VOCÊ NÃO É A LIGIA, QUE A GENTE CHAMAVA DE A MENINA QUE LIA O DICIONÁRIO?

Mano… minha vida passou diante dos meus olhos. Que apelido desgraçado pra uma criança!

Apertei o botão decline.

E quando a escola foi demolida, eu dei uma pequena festa.

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