#21 - Piscina de 1000 litros

Depois de anos morando no mesmo prédio, a minha amiga Bia descobriu que rola uma área comum imensa no último andar do prédio.
A segunda idéia natural - seguida de churrasco! - foi de comprar uma piscina de 1000 litros para curtir o calor divertidamente.
Bastou dar um google em “piscina de 1000 litros” (a princípio para ver os preços) para refrescarmos a memória para o que significa uma aquisição dessas.
O primeiro resultado que aparece é na desciclópedia. Eu não costumo amar muito os artigos de lá. Mas este é genial. http://desciclo.pedia.ws/wiki/Piscina_de_1000_litros
Sim, eu tive uma piscina de plástico em casa na minha infância. Mas como meu pai sofre de megalomania classe média, foi uma de sei lá, 6000 litros.
A minha experiência bate em vários pontos com os relatos da desciclopédia.
Eu lembro que a gente usou umas duas vezes. Era decepcionante demais o quanto era rasa e desconfortável. Também gastava uma água lascada, e como meu pai “não é sócio da sabesp”, a água ficava lá por um tempão. Era o próprio foco de dengue e fungos.
Quando já estava nojento, a gente usava a água para regar as plantas. Não sei os detalhes, mas depois de um tempo ela desapareceu do jardim.
Quer saber o pior de tudo? Mesmo depois de esclarecidas, continuamos cogitando a compra. Cuidado! Infância pobre pode ter recaídas na fase adulta!
Nunca é tarde demais! haha
#20 - Pense Bem

Hoje eu tive que fazer um teste em um processo de trainee. No teste tinham algumas questões de lógica, qual número completa a sequência e essas coisas que deveriam ser lógicas.
Eu nunca tive facilidade com matemática. Acho que no colegial eu consegui a proeza de ficar de recuperação de numerinhos por três anos consecutivos.
Acho que seria um pouco menos difícil se as minhas recordações da infância ao lidar com números não fossem tão horríveis. Lembro de ter passado várias ocasiões até tarde da noite com o meu pai me torturando para aprender divisão.
Nos anos 80, a Tec Toy lançou com um brinquedo que prometia solucionar os meus problemas. O Pense Bem era um jogo eletrônico que combinava as duas coisas mais antagônicas naquele momento da minha vida: matemática e diversão.
Não sei se funcionava de fato, mas hoje senti falta desse negócio de matemática lógica. Mas, gente, eu sou super boa pessoa, profissional, esforçadinha, escrevo certinho, why can’t we be friends? haha
O programa Porta da Esperança era a mega sena da infância pobre. Quem não se giletou de inveja daquela garota que pediu e GANHOU a coleção completa de Barbies? Ai, Silvio, escolhe a minha cartinha!
#19 - Tupperware Copo

Pais que compraram Tupperware copo para suas crianças, nunca tiveram o desprazer de usá-lo. O Tupperware Copo se parece com uma idéia boa. Você é capaz de reaproveitar o suco natural, tang ou qualquer que seja a bebidinha do almoço, no lanchinho da criança.
O único problema é que não funciona. Acho que a melhor idéia depois de comprar Tupperware Copo, era armazenar refrigerante nele. Mamãe me torturava assim às vezes.
Não podemos tirar a importância da providência materna de colocar uns 20 sacos plásticos para não vazasse na bolsa. Desculpem aí, mães do mundo, mas vazamentos em tupperware copo são apenas inevitáveis.
Enquanto isso, no universo paralelo das crianças ricas, já havia sido descoberta e popularizada a beleza do tetra pak. Minha bolsa da Risca roxa tinha um cheiro permanente de podre devido a acidentes com Tupperware Copo.
Não adiantava lavar, deixar de molho, o cheiro continuava lá…
#18 - Meu primeiro "Walkman"
Como toda criança brasileira, eu fiquei atordoando os meus pais um tempão pelo “Meu Primeiro Gradiente”. Mas em um dos Natais a família se presenteou com um daqueles rádios grandes 3x1 - da gradiente inclusive - e não tinha mais nem chance de retomar o meu radinho na pauta de presentes.
Alguns anos depois, final dos anos 90, terceira para quarta série, eu (pelo menos falava que) não queria mais saber desses rádios de bebezinho. Aquela bela fase de transição entre infância e pré adolescencia. Realiza: japinha toda malandra de calça de moleton, tênis preto Dharma, camiseta da Colcci - fase digby - e um novo eletrônico nos sonhos: o walkman! Eu queria um Aiwa.

Mas tudo o que ganhei foi um Sony Sports falsiê! Era amarelo, com a caixa de alto falante embutida em azul. Adorava comer as fitas. Eu usava aquelas pilhas amarelinhas e com um par só dava para ouvir os dois lados de uma fita uma vez até começar a ficar demoníaco.
Ai, infância pobre…
#17 - O "Meu Primeiro Gradiente"

Apesar de todo desdém da Ligia com seu duplo deck CCE, um dos brinquedos que eu mais desejei durante minha infância pobre foi o “Meu Primeiro Gradiente”.
Eu adorava cantar e imaginava que com o “Meu Primeiro Gradiente” eu poderia gravar minha primeira demo, entregá-la na sequência para um importante produtor e seria só o início uma carreira de muito sucesso.
Só o fato dos meus pais regularem o radinho bastou para matar o embrião de uma brilhante artista (fresca) que existia em mim. Hoje em dia eu só canto no Karaokê - meio envergonhada - e acabei nessas de jornalismo.
Fui procurar fotos para ilustrar este post e caramba! Ele é bonitão até hoje! Será que alguém não pode me arrumar um desses para que eu possa superar o trauma e descongelar a minha carreira de cantora?
#16 - Alôr? 2

Linha de Economia? Plano Controle? Na minha infância pobre o jeito mais eficaz de economizar nas contas de telefone era usar um cadeado direto no baquelite. Para quem não lembra, a maioria dos telefones era de rosca, com esse tipo de cadeado ficava impossível girar o disco e, por consequência, discar os números.
Papinho telefônico só se alguém ligasse, ou se mamãe e papai considerassem fundamental, importante e necessário. Se eles estivessem estirados no sofá após um longo dia de trabalho, nem precisava se dar ao trabalho, que nenhum dos dois ia parar de ver novela para deschavear telefone para ninguém.
Mas o quê eu queria ficar tagalerando ao telefone com os outros aos 10 anos de idade? haha
#15 - Pipocas

Pipoca do pacotinho rosa é uma doce lembrança da infância pobre. Mas virou um negócio tão popularizado que teve muito filho de burguês que experimentou em alguma circunstância com olhar de reprovação da mãe.
Mas pipoca salgada da Brasileiro só comeu quem teve infância pobre. Era estilo essas pipocas doces, que nem tem cara de pipoca, só que salgada. Não se achava em qualquer lugar, apenas nas docerias bem abastecidas - de bairros. Eu achava boa! Mas hoje em dia não repito a experiência para não destruir essa bela lembrança de minha infância pobre.
#14 - Alôr?

Houve um tempo em que a expressão “disque o número de telefone” fazia sentido, queridos. Meu amigo Nix me fez lembrar disso. E de mais uma história de pobreza da minha infância.
Naquela época era difícil ter uma linha telefônica em casa. Tinha que ser sorteado, a assinatura era caríssima, um drama. Mas, ao mesmo tempo, era o fim do mundo morar em uma casa sem telefone, né? Ainda mais com 3 crianças pequenas: você nunca sabe quando vai ter que chamar uma ambulância (ou a polícia, ou pedir uma pizza, enfim)
Daí que a gente não tinha dinheiro pra ter um telefone só nosso, então o que fizemos? Pegamos uma EXTENSÃO de uma família amiga nossa. Mas o bizarro era que essa família não era nossa vizinha. Nem morava na mesma rua. Nem no mesmo bairro. Eles moravam a muitos e muitos quilometros de distância, no Rio Pequeno!
Nem sei quantos anos durou essa situação de dividir telefone. O 869-2521 era nosso. Dos Nunes e dos Machado. A gente tinha um truque para avisar quando a ligação era pra eles. Se tocasse mais de X vezes, era pra gente. Vários códigos. E pra ligar pra Maíra e pro João, eu nem precisava discar o número. :P